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Sexualidade na Terceira Idade

25/10/2016

Criado Por

 

 

O relacionamento sexual é fonte de satisfação e realização e deve, tanto quanto possível, se estender por toda a vida. Há um número cada vez maior de pessoas que chegam à velhice motivadas a manter uma vida sexual ativa e apresentando boas condições físicas e psicológicas para desfrutá-la.

 

 

 

A sexualidade na terceira idade é um tema comumente negligenciado pela medicina, pouco conhecido e menos entendido pela sociedade, pelos próprios idosos e pelos profissionais da saúde. Para muitos, incluindo os próprios idosos, a sexualidade é carregada de mitos e preconceitos. A forma como a sociedade lida com as transformações físicas normais do processo de envelhecimento pode contribuir de maneira significativa para a negação da sexualidade do idoso. A todo o momento a mídia associa a imagem do sexo a corpos jovens, bonitos e musculosos. Quando uma pessoa idosa aparece nessas imagens é, em geral, de forma estereotipada ou ridicularizada.

 

Nossos corpos se modificam com o tempo, e junto com ele deveria vir o amadurecimento, o conhecimento do próprio prazer, a experiência de saber que a sexualidade não se resume ao ato sexual, nem tão somente é mobilizada pela exuberância das formas físicas. Ela é muito mais do que isso. É possibilidade de encontro, satisfação e prazer, de forma ampla.

O envelhecimento fisiológico é uma das chaves para entender, em parte, a diminuição da atividade sexual que se produz na velhice. Um erro frequente é a confusão entre envelhecimento e doença. Mesmo que o processo de envelhecimento inclua a suscetibilidade às doenças, as mudanças fisiológicas produzidas pelo envelhecer são universais, afetando todos os indivíduos de todas as espécies animais, enquanto as doenças afetam apenas um determinado grupo de indivíduos.

Apesar dos idosos expressarem, com frequência, sentimentos de mágoa e desvalorização por não terem mais o corpo da juventude e não parecerem mais tão desejáveis aos seus parceiros, a forma como cada sujeito encara esse processo, com suas possibilidades e limitações, é única. De um modo geral, é bom ter em mente que, na ausência de doenças, apesar das mudanças fisiológicas e anatômicas produzidas pelo avançar da idade, tanto homens quanto mulheres podem continuar desfrutando de relações sexuais prazerosas na velhice.

 
MUDANÇAS NA MULHER
 

No passado, a medicina estimava que, depois da menopausa, as mulheres sofreriam um declínio físico e psicológico. Estudos mais atuais, entretanto, não têm encontrado indícios sólidos de que a menopausa produza diretamente algum transtorno depressivo ou outros transtornos psicológicos mais graves. A menopausa tem significado próprio para cada mulher, mas, para a maioria delas, e para nossa cultura, é símbolo de envelhecimento e perda da capacidade sexual. Simbolicamente, a menopausa representa o fim da procriação, sendo este um dos papéis femininos mais importantes e valorizados socialmente ainda nos dias atuais.

 

Na prática, a menopausa representa um tempo de novidade e adaptação na vida da mulher. Inclusive, para algumas mulheres, este pode ser um período de liberação, serenidade, estabilidade e de novas experiências, sem as preocupações relacionadas a uma possível gravidez indesejada. Além disso, as responsabilidades e preocupações com filhos tendem a diminuir quando estes crescem e saem de casa, criando novamente um ambiente de intimidade que pode favorecer as relações íntimas do casal. A mulher de idade avançada pode sim manter seus padrões sexuais até o fim da vida, ou até que apareça alguma doença suficientemente grave que a impeça disso. O corpo da mulher tende a permanecer erótico e erotizável durante toda a vida.

 

Porém, é natural que o ciclo de resposta sexual da mulher pós-menopausa sofra uma série de mudanças fisiológicas e anatômicas, tanto ao nível do aparelho genital como em todo o organismo. Essas mudanças não acontecem de forma súbita, nem se apresentam do mesmo modo em todas as mulheres. A diminuição da produção de estrogênio (hormônio da ovulação) e de progesterona pelos ovários é responsável pela maioria destas alterações. É importante ressaltar que as mudanças anatômicas e fisiológicas do envelhecimento ocorrem de forma universal, mas isso não significa que terão a mesma relevância para cada mulher. Apesar dos fenômenos fisiológicos e anatômicos observados, o declínio do desejo sexual, percebido pelas mulheres com o avançar da idade, em geral, parece ter mais um sentido originário de aspectos psicológicos do que fisiológicos.

 
MUDANÇAS NO HOMEM
 

A deterioração das funções reprodutivas do homem é muito diferente da que ocorre nas mulheres, uma vez que não existe um término claro e definido da fecundidade masculina. Assim como nas mulheres, as mudanças na fisiologia sexual masculina não se apresentam de forma súbita nem da mesma forma para todos os homens. A falta de consciência a respeito deste processo fisiológico natural pode levar o idoso a apresentar sintomas de ansiedade antecipatória sobre seu desempenho sexual.

 

A diminuição da atividade sexual na velhice pode se relacionar tanto com as mudanças físicas do envelhecimento, como com as influências de atitudes e expectativas impostas pelo modelo social, assim como fatores psicológicos próprios do idoso. O primeiro destes fatores diz respeito à própria atitude diante das mudanças fisiológicas normais do envelhecimento. O progressivo aumento do período entre as ereções e a maior dificuldade para consegui-las, pode produzir uma ansiedade crescente no homem, e esta ansiedade tende a prejudicar ainda mais sua capacidade de resposta sexual.

 
CULPA E PRECONCEITO
 

Em linhas gerais, a relação sexual tem sido considerada uma atividade própria das pessoas jovens, com boa saúde e fisicamente atraentes. A ideia de que pessoas de idade avançada também possam manter relações sexuais prazerosas não é culturalmente muito bem aceita, preferindo-se ignorar e fazer desaparecer do imaginário coletivo a sexualidade da pessoa idosa. Como a sexualidade na velhice não costuma ser associada à procriação, há uma tendência geral em negá-la, criticá-la ou simplesmente ignorá-la, muitas vezes por forte influência da religião. Tanto quanto ou ainda mais que na infância, nossa cultura impõe que a sexualidade deva ser ignorada na velhice.

 

Apesar destas barreiras, a velhice conserva a necessidade psicológica de uma atividade sexual continuada, não havendo, pois, idade na qual a atividade sexual, os pensamentos sobre sexo ou o desejo devam cessar. Devido ao desconhecimento e à pressão cultural, muitas pessoas de idade avançada, nas quais ainda é intenso o desejo sexual, experimentam um sentimento de culpa e vergonha, chegando a se considerarem “anormais”, pelo simples fato de se perceberem com vontade de ter prazer sexual.

 

 

DISFUNÇÕES SEXUAIS
 

Cerca de 10 % dos homens entre 40 e 70 anos têm alguma forma de disfunção erétil, sendo que apenas 30% têm a iniciativa de procurar ajuda médica. ‘Impotência’ tem sido o termo tradicionalmente usado para definir a incapacidade de obter e manter uma ereção satisfatória para realizar o ato sexual, enquanto ‘disfunção erétil’ é o termo médico atualmente mais aceito para definir tal condição. É importante dizer que a disfunção erétil pode estar presente mesmo quando o desejo sexual e o orgasmo ocorrerem. Caso esta alteração seja erroneamente encarada como um “caminho inevitável do envelhecimento”, fará com que o idoso se sinta desmotivado e não busque tratamento.

 

Da mesma forma, é raro que as mulheres de idade avançada, principalmente quando influenciadas pela educação recebida, consultem especialistas para tratar de disfunções sexuais. A ‘dispareunia’, ou ‘coito doloroso’, é o sintoma mais frequente nas disfunções sexuais enfrentadas pela mulher na velhice. Mesmo que a causa mais comum deste quadro seja a diminuição fisiológica da produção de estrógenos devido à menopausa, há outros transtornos psicológicos que podem dar origem a esta alteração. A ‘dispareunia’ provoca ansiedade antecipatória com consequente aumento da dor, formando um círculo vicioso difícil de romper. A causa mais frequente de disfunção sexual de origem psíquica nos idosos é a depressão. Estima-se que esta pode ser responsável por 10% dos casos de impotência no idoso.

 

TRATAMENTOS
 

Embora milhões de pessoas sofram com problemas causados pelas disfunções sexuais, poucas são aquelas que procuram o tratamento adequado. Atualmente, em decorrência da evolução contínua dos medicamentos, do aprimoramento das técnicas cirúrgicas e dos excelentes resultados obtidos com a psicoterapia, as disfunções sexuais são passíveis de altos índices de melhora. Dentre as principais formas de prevenção e tratamento das disfunções sexuais, podemos destacar:

  • Eliminação dos fatores de riscos: tratar a hipertensão arterial, a diabetes e as taxas elevadas de colesterol; substituir medicamentos que prejudiquem a ereção por outros sem tais efeitos colaterais; promover o controle do peso e a prática de exercícios físicos.

  • Psicoterapia: com as sessões de psicoterapia o idoso poderá obter um maior conhecimento sobre si mesmo, reduzindo a ansiedade em relação à  performance sexual e promovendo o aumento da autoconfiança e da autoestima.

  • Medicamentos de uso oral: estudos clínicos têm apresentado excelentes resultados, dando um novo alento ao tratamento da disfunção erétil. Todavia, é sempre importante uma avaliação criteriosa do paciente pelo seu médico de forma a estabelecer uma indicação precisa e segura do uso do medicamento.

 
AIDS NA TERCEIRA IDADE
 

É um engano pensar que a AIDS é uma doença exclusiva de jovens com vida sexual ativa. Os primeiros casos brasileiros aconteceram entre homossexuais de São Paulo, em 1982, mas hoje a doença pode atingir qualquer pessoa, em qualquer idade. De 1998 a 2010, os casos da doença entre pessoas acima de 60 anos no Brasil aumentaram 41%, segundo dados do Ministério da Saúde. Entre os homens o aumento foi de 25%, enquanto que na população idosa feminina o aumento chegou a 82% (ver gráfico). Embora o número absoluto de casos ainda seja pequeno, em comparação com outras faixas etárias, o ritmo de crescimento da doença entre os mais velhos é preocupante. A via predominante de transmissão é por relação sexual heterossexual, em ambos os sexos.

 

 

 

 

 

 

 

O fenômeno da AIDS na terceira idade se deve muito à falta de uso do preservativo. Se o idoso nunca usou camisinha, ele continua não usando e, consequentemente, se expondo ao risco de contrair o vírus HIV. Isto ocorre principalmente nos casos de viúvos(as) e separados(as), que sempre tiveram um único companheiro(a) e, subitamente, aumentam o número de parceiros, sem o hábito do uso do preservativo. Soma-se a este quadro o verdadeiro “boom” das medicações para disfunção erétil, que são muitas vezes utilizadas sem as devidas precauções e acompanhamento médico, e temos então um cenário propício ao aumento do número de idosos infectados. Outro fator a ser considerado é o preconceito enraizado na sociedade em relação à sexualidade dos idosos, que acaba atrapalhando a conscientização sobre a AIDS e o tratamento da doença. O fato dos idosos não serem vistos como sexualmente ativos dificulta o diagnóstico e o acesso à prevenção.

 
HOMOSSEXUALISMO E VELHICE
 

Os escassos estudos realizados sobre homossexualismo na terceira idade mostram que o processo de envelhecimento produz as mesmas mudanças sexuais tanto nos ‘homo’ como nos heterossexuais. Apesar disso, a situação dos homossexuais idosos é especialmente complexa em termos da discriminação por parte da sociedade, tendo em vista que: 1) a sexualidade dos idosos heterossexuais não é bem aceita pela sociedade; 2) a sexualidade dos homossexuais também não é bem aceita pela sociedade; 3) pior situação é a que se apresenta para os idosos homossexuais.

A reação defensiva mais comum, em uma geração acostumada a estar “no armário”, é um “recuo para a invisibilidade” que foi necessária durante grande parte de suas vidas, especialmente em uma época em que a homossexualidade era considerada tanto um crime quanto um distúrbio mental. É especialmente complicado ter que ocultar parte tão importante da sua vida, justamente em um momento em que sua identidade está sendo ameaçada a partir das diversas transformações impostas pela velhice.

 

A imagem do gay e lésbica mais velhos como deprimidos, solitários e sem sexo é predominante em nossa cultura, no entanto, tal impressão não retrata a realidade. Eles podem, na verdade, ter uma vida sexual ativa e bem interessante como qualquer pessoa, desde que consigam perceber não apenas as limitações, mas também as possibilidades que se descortinam com o envelhecimento.

 

 

MENTE E CORPO

 

Sexo, um dos grandes prazeres da vida, gratuito e renovável, não combina com preguiça e apatia. Para uma vida sexual satisfatória, manter-se em forma é fundamental. Dois afrodisíacos potentes e de eficácia comprovada são um corpo vigoroso e bem cuidado e uma personalidade jovial. Muito se pode fazer para manter o bom funcionamento dos dois: tanto os exercícios físicos como a psicoterapia podem contribuir de maneira significativa para a vida sexual do idoso. A boa forma física e mental são qualidades vitais, condições básicas para sentir-se bem e ter as condições físicas e psicológicas necessárias para gozar uma variedade de interesses, dentre os quais se encontra o sexo.

 

Arthur Figer

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